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Congruências

Definição

Dados 2 números a,b∈Za , b \in \Z e um n∈N1n \in \N_1, diz-se que aa é congruente com bb para módulo nn, se:

a−b=n˙n˙→muˊltiplo de na-b = \dot{n}\\ \dot{n} \rightarrow \text{múltiplo de }n

Podemos representar esta relação por:

  • a≡nba \equiv_n b
  • a≡b(mod n)a \equiv b \quad (\text{mod } n)

Através desta definição, podemos também concluir facilmente que a≡nba \equiv_n b se e só se aa e bb têm o mesmo resto na divisão inteira por nn.

Teoremas

Teorema 1

Se adicionarmos, membro a membro, duas congruências do mesmo módulo, obtemos ainda uma congruência desse mesmo módulo.
Ou seja,

a≡nb+c≡nda+c≡nb+d\begin{array}{c|cc} & a & \equiv_n & b \\ + & c & \equiv_n & d \\ \hline & a+c & \equiv_n &b+d \end{array}
Demonstração
a=b+n˙+c=d+n˙a+c=b+d+n˙\begin{array}{c|cc} & a & = & b + \dot{n} \\ + & c & = & d + \dot{n} \\ \hline & a+c & = &b+d + \dot{n} \end{array}

(A soma de dois múltiplos de nn é um múltiplo de nn)

NOTA IMPORTANTE

  • Esta propriedade também funciona para a subtração e multiplicação.

Teorema 2

Para k∈Nk \in \N

a≡nb→ak≡nbka \equiv_n b \quad \rightarrow \quad a^k \equiv_n b^k
Demonstração

Por indução,

  1. k=0k=0
a0=1≡n1=b0a^0 = 1 \equiv_n 1 = b^0
  1. Hereditariedade
    Hip: ak≡nbka^k \equiv_n b^k, para todo o k∈Nk \in \N e n∈N1n \in \N_1
    Tese: ak+1≡nbk+1a^{k+1} \equiv_n b^{k+1}, para todo o k∈Nk \in \N e n∈N1n \in \N_1
    Pelo Teorema 1 e pela Hip. de Indução
a≡nb×ak≡nbkak+1≡nbk+1\begin{array}{c|cc} & a & \equiv_n & b \\ \times & a^k & \equiv_n & b^k \\ \hline & a^{k+1} & \equiv_n & b^{k+1} \end{array}

QED

Teorema 3

ax≡nbax \equiv_n b não tem solução se d∤bd \nmid b, onde d=a⌢nd = a \frown n. No entanto, se d∣bd \mid b, então ax≡nbax \equiv_n b tem dd soluções incongruentes.

Soluções Incongruentes

Sejam sis_i e sjs_j duas soluções, são incongruentes, se não forem congruentes módulo nn, ou seja, si≡nai,sj≡najeai≠ajs_i \equiv_n a_i, \quad s_j \equiv_n a_j \quad \text{e} \quad a_i \neq a_j

Demonstração
ax≡nbax+nk=bk∈Z ax \equiv_n b\\ ax + nk = b \quad k \in \Z

Temos uma equação diofantina e sabe-se que este tipo de equações tem solução se e só se d∣bd \mid b (relembrar: d=a⌢nd = a \frown n). Podemos concluir, através das soluções de equações diofantinas,

x=x0+ndt,t∈Zx = x_0 + \frac{n}{d}t, \quad t\in \Z

Vamos tentar provar agora a existência de apenas dd soluções incongruentes.

Ao dividirmos tt por dd, temos um quociente (qq) e resto (rr), tal que:

t=dq+r,0≤r<dt = dq + r, \quad 0 \leq r < d

NOTA: Para valores diferentes de tt, vamos ter valores diferentes de qq e rr (dd é fixo).
Substituindo na equação das soluções,

x=x0+nd(dq+r)x=x0+nq+ndrx = x_0 + \frac n d (dq+r)\\ x = x_0 +nq+ \frac n d r

Como nqnq é múltiplo de nn,

x≡nx0+ndrx \equiv_n x_0 + \frac n d r

Isto significa que, se tivermos t1=dq1+rt_1 = dq_1 + r e t2=dq2+rt_2 = dq_2 + r, onde q1≠q2q_1 \neq q_2, as soluções

x1=x0+ndt1x2=x0+ndt2x_1 = x_0 + \frac n d t_1\\ x_2 = x_0 + \frac n d t_2

são congruentes módulo n entre si.

As soluções incongruentes obtêm-se com os diferentes valores de rr. Como r=0,…,(d−1)r=0,\dots,(d-1), concluímos que só existem dd soluções incongruentes.

QED

Teorema 4

Se m1,m2∈N1m_1, m_2 \in \N_1 e são primos entre si (m1⌢m2=1)(m_1 \frown m_2 =1) e m1∣am_1|a e m2∣am_2|a, então (m1m2)∣a(m_1m_2)|a.

Demonstração
a=kam1a=kbm2kam1=kbm2a = k_am_1 \quad a=k_bm_2\\ k_am_1 = k_bm_2

Como m1⌢m2=1m_1 \frown m_2 = 1, então, para a equação se verificar ka∣m2k_a \mid m_2 e kb∣m1k_b \mid m_1

ka=k⋅m2a=kam1a=k(m1m2)k_a = k \cdot m_2\\ a = k_am_1\\ a = k(m_1m_2)

QED

Generalizando este Teorema, se m1,…,mk∈N1m_1,\dots,m_k \in \N_1, primos entre si, dois a dois, e mi∣am_i \mid a, para i=1,…,ki = 1,\dots,k, então

M∣a,com M=∏i=1kmiM \mid a, \qquad \text{com } M = \prod_{i=1}^{k}m_i

Teorema 5

Para todo o a,b,c∈Za,b,c \in \Z e n∈N1n \in \N_1,

ac≡nbca≡nn⌢cbac \equiv_n bc \quad a \equiv_{\frac n {n \frown c}} b
Demonstração
  1. Condição necessária

Se ac≡nbcac \equiv_n bc, sabemos que ac−bc=knac-bc = kn, onde concluímos que c(a−b)=knc(a-b)=kn.
Seja d=n⌢cd=n \frown c,

(a−b)cd=knd(a-b)\frac c d = k \frac n d

Como cd\frac c d e nd\frac n d são primos entre si, concluímos (tal como em provas passadas) que nd∣(a−b)\frac n d \mid (a-b), por exemplo.
Então,

a−b=λndλ∈Za=b+λnda≡ndba-b = \lambda \frac n d \quad \lambda \in \Z\\ a = b+\lambda \frac n d\\ a \equiv_{\frac n d} b
  1. Condição suficiente

Se a≡ndba \equiv_{\frac n d} b, com d=c⌢nd = c \frown n, mais uma vez, então,

a−b=knd,k∈Zac−bc=k⋅ncdac−bc=n˙ac≡nbca - b = k \frac n d, \quad k \in \Z\\ ac - bc = k\cdot n \frac c d\\ ac -bc = \dot{n}\\ ac \equiv_n bc

QED

Teorema 6

x≡pqax \equiv_{pq} a , se e só se x≡pax \equiv_p a e x≡qax \equiv_q a,
a∈Za \in \Z, p,q∈N1\quad p,q \in \N_1 primos entre si (p⌢q=1p \frown q = 1).

Demonstração
  1. Condição Necessária Assumindo que x≡pqax \equiv_{pq} a,
x−a=kpq,k∈Zx−a=kpq,(kp=kp,kp∈Z)x≡qax-a = kpq,\qquad k \in \Z\\ x-a = k_pq, \qquad (k_p = kp, k_p \in \Z)\\ x \equiv_q a

Por outro lado,

x−a=kqp,(kq=kq,kq∈Z)x≡pqx-a = k_qp, \qquad (k_q = kq, k_q \in \Z)\\ x \equiv_p q
  1. Condição Suficiente
    Assumindo que x≡pax \equiv_p a e x≡qax \equiv_q a.
{x−a=k0p,k0∈Zx−a=k1q,k1∈Zk1q=k0p\left\{ \begin{aligned} x-a = k_0p, \quad k_0 \in \Z\\ x-a = k_1q, \quad k_1 \in \Z\\ \end{aligned} \right.\\ k_1q = k_0p

Como qq e pp são primos entre si, para a igualdade se verificar, q∣k0q | k_0, por exemplo.
Logo,

k0=λq,λ∈Zk_0 = \lambda q, \qquad \lambda \in \Z

Substituindo,

x−a=λqpx≡pqax-a = \lambda q p\\ x \equiv_{pq} a

QED